Maleta de trabalho, estetoscópio, moedas empilhadas com cifrão, documento aprovado e planta em linhas sobre fundo verde, representando a troca do médico PJ para o Lucro Presumido

Lucro Presumido: quando o médico deve migrar (2026)

Quando o médico PJ deve trocar o Simples pelo Lucro Presumido em 2026? Calcule o ponto de equilíbrio de faturamento e veja quanto dá para economizar.

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Equipe Zemed

7 min de leitura

Trocar do Simples Nacional para o Lucro Presumido pode significar milhares de reais por mês no bolso do médico — ou o contrário, se a conta for feita na hora errada. A decisão não é sobre nenhum “limite mínimo” de faturamento: é sobre o ponto de equilíbrio, onde o Simples deixa de compensar e o Lucro Presumido passa a pagar menos. Veja como calcular esse ponto com as regras de 2026.

O que é o Lucro Presumido para o médico

O Lucro Presumido é um regime em que o IRPJ e a CSLL são calculados sobre uma base presumida de lucro, e não sobre o lucro contábil real. Para serviços médicos (exceto serviços hospitalares), essa base é de 32% da receita bruta — ou seja, o Fisco assume que 32% do que você faturou é lucro e tributa só essa parcela. Sobre o faturamento ainda incidem PIS, Cofins e o ISS do município.

A opção pelo regime é feita uma vez por ano, no pagamento da primeira quota do IRPJ e da CSLL, e é irretratável para todo o ano-calendário. Escolheu, não volta atrás até o ano seguinte. É por isso que decidir a troca no achismo sai caro: a conta precisa ser feita antes, com dados.

O gatilho da troca: quando o Fator R trava contra você

No Simples Nacional, quem decide o seu imposto é o Fator R — a razão entre a folha (pró-labore + encargos) e o faturamento dos últimos 12 meses. Com Fator R ≥ 28%, os serviços médicos caem no Anexo III (a partir de 6%). Abaixo de 28%, vão para o Anexo V, que começa em 15,5% e chega a 30,5%.

Aqui está o problema típico do médico: margem alta (70% a 90% do faturamento) e folha enxuta — muitos sem funcionários, ou com um único auxiliar. Esse perfil deixa o Fator R cronicamente abaixo de 28%, empurrando o médico para o Anexo V sem que ele perceba. É exatamente nesse cenário que vale calcular a migração para o Lucro Presumido. Se quiser entender a mecânica do Fator R antes, veja Lucro Presumido vs Simples para médico.

Como calcular o ponto de equilíbrio

Passo 1: confira o seu Fator R

Some a folha (pró-labore + INSS + encargos) dos últimos 12 meses e divida pelo faturamento do mesmo período. Menos que 28%? Você está no Anexo V — e esse é o primeiro sinal de que o Lucro Presumido pode sair mais barato. Use a janela de 12 meses, não o mês isolado.

Passo 2: calcule a carga no Simples (Anexo V)

No Anexo V, a alíquota começa em 15,5% e sobe por faixa. Para um médico faturando R$ 50 mil/mês com Fator R desfavorável, a efetiva costuma ficar entre 19,5% e 22,5% — ou seja, R$ 9.750 a R$ 11.250 de imposto por mês. É esse valor que serve de base para a comparação.

Passo 3: calcule a carga no Lucro Presumido

Tributo Base de cálculo Alíquota Carga efetiva
IRPJ 32% da receita 15% 4,8%
Adicional IRPJ 32% da receita (parcela > R$ 20 mil/mês) 10% Variável
CSLL 32% da receita 9% 2,88%
PIS Faturamento 0,65% 0,65%
Cofins Faturamento 3% 3%
ISS Faturamento 2% a 5% 2% a 5%
Total 11,33% a 16,33%

O adicional de IRPJ de 10% incide só sobre a parcela do lucro presumido que passar de R$ 20 mil/mês (R$ 60 mil no trimestre). Para quem fatura R$ 50 mil/mês, a base presumida é R$ 16 mil (32% de R$ 50 mil), abaixo do limite — logo, sem adicional. Em faturamentos maiores o adicional entra e eleva a carga, mas ela ainda tende a ficar abaixo do Anexo V.

Passo 4: compare e ache o ponto de virada

O ponto de equilíbrio é onde a alíquota efetiva do Simples (Anexo V) ultrapassa a carga do Lucro Presumido — em geral entre R$ 30 mil e R$ 50 mil/mês para médicos com Fator R baixo.

Faturamento Simples (Anexo V) Lucro Presumido (ISS 5%) Economia/mês
R$ 50 mil/mês R$ 9.750 a 11.250 (19,5%–22,5%) R$ 8.165 (16,33%) R$ 1.585 a 3.085
R$ 100 mil/mês R$ 25.000 a 30.000 (25%–30%) R$ 17.530 (17,53%) R$ 7.470 a 12.470

A economia escala com o faturamento: quanto mais você fatura no Anexo V com Fator R ruim, maior a diferença — e maior o prejuízo de continuar no Simples.

A conta muda com pró-labore, ISS do município e despesas. Rode o seu caso no simulador da Zemed e compare os dois regimes em segundos.

Passo 5: formalize a migração no prazo certo

A opção pelo Lucro Presumido é feita no pagamento da primeira quota do IRPJ e da CSLL do ano, e a exclusão do Simples deve ser pedida até o último dia útil de janeiro. A janela é curta e não admite reversão. Por isso o planejamento precisa acontecer no último trimestre do ano anterior, com faturamento e folha já projetados. Na Zemed, esse diagnóstico tributário faz parte do serviço justamente para o médico não perder a janela por falta de antecedência.

As regras da Receita: limites e prazos

Pode optar pelo Lucro Presumido a PJ que não seja obrigada ao Lucro Real, que não tenha tido receita superior a R$ 78 milhões no ano anterior e que não exerça atividades específicas (bancos, factoring, lucros do exterior). Para a esmagadora maioria dos médicos e clínicas de pequeno e médio porte, esse teto nunca é obstáculo.

Um ponto importante: não existe faturamento mínimo legal para entrar no Lucro Presumido. Qualquer PJ elegível pode optar. O valor de R$ 81 mil às vezes citado é, na verdade, o limite do MEI — que nem se aplica a médicos. Ou seja, o que determina a troca não é a lei, e sim o ponto de equilíbrio tributário: um cálculo individual, que depende do seu Fator R, do ISS do seu município e da sua estrutura de custos. Se você ainda não tem empresa, comece por como abrir CNPJ de médico; para ver a carga de cada regime, veja quanto um médico PJ paga de imposto.

Perguntas frequentes

Qual o faturamento mínimo para o Lucro Presumido? Não há piso legal — qualquer PJ não obrigada ao Lucro Real pode optar. O que existe é o teto de R$ 78 milhões/ano. Na prática, para médicos a troca só compensa a partir de cerca de R$ 30 mil/mês, quando o Simples com Fator R baixo passa a custar mais.

Como sei que meu Fator R está desfavorável? Divida a folha dos últimos 12 meses pelo faturamento do mesmo período. Abaixo de 28%, você está no Anexo V (a partir de 15,5%) e é forte candidato à migração.

A troca pode ser desfeita durante o ano? Não. A opção é irretratável para todo o ano-calendário. Só dá para rever no ano seguinte — por isso o cálculo tem que ser feito antes de janeiro.

Vale a pena mesmo com a apuração trimestral? Para quem já está no Anexo V com faturamento relevante, sim: a economia costuma superar com folga o custo da apuração. Abaixo do ponto de equilíbrio, não — aí o Simples ainda ganha.

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